Engraçado como “do nada”, vem em nossas lembranças memórias de alguém que em um dado momento de nossas vidas nos foi especial. É a doce lembrança do vento, que não tem gosto, não tem forma, não tem cheiro, mas se faz lembrar nos sabores, nas formas e nos cheiros. Contraditório eu sei, mas assim é “o amar”, que se contradiz no tempo, e não acompanha os novos passos que damos em rumo ao recomeço.
Mudar é deixar pra trás o que para trás ficou.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Realmente sem tempo...
Às vezes ficamos tão irritados que apenas o silêncio é capaz de fazer com que reorganizemos nossos pensamentos, e tragamos de volta a harmonia que antes integrava nosso estado de espírito.
Algumas vezes chego a pensar que vou explodir a qualquer instante, pois a irritação torna-se tão ativa e predominante em mim que uma simples frase sem sentido pode ser motivo para brigar até mesmo com quem não conheço. É o estresse, tomando conta de quem sou. Transformando-me na criatura de minha raiva, e me fazendo agir sem uma linha continua de razão.
O tempo tem me faltado, e o resultado disso é um enorme e vasto vazio, que se perde em palavras não ditas e em textos não criados.
É caro amigo leitor que aprendeu a me ler nas linhas ainda tortas deste blog não muito organizado, me falta tempo, e sobra-me estresse por não estar conseguindo estar aqui por completo.
Algumas vezes chego a pensar que vou explodir a qualquer instante, pois a irritação torna-se tão ativa e predominante em mim que uma simples frase sem sentido pode ser motivo para brigar até mesmo com quem não conheço. É o estresse, tomando conta de quem sou. Transformando-me na criatura de minha raiva, e me fazendo agir sem uma linha continua de razão.
O tempo tem me faltado, e o resultado disso é um enorme e vasto vazio, que se perde em palavras não ditas e em textos não criados.
É caro amigo leitor que aprendeu a me ler nas linhas ainda tortas deste blog não muito organizado, me falta tempo, e sobra-me estresse por não estar conseguindo estar aqui por completo.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Nota ligeira.
Definitivamente alguns dias são tão corridos que um minuto de descanso é tão precioso que para tê-lo precisamos abdicar de momentos de confraternização entre amigos... Hoje foi um desses dias... Muita correria no trabalho e jantar de aniversário, resultado: Um dia quase sem tempo para mim...
Saudades da namorada que hoje pouco pude falar...
Amanhã entro com mais calma e escrevo mais coisas!
Saudades da namorada que hoje pouco pude falar...
Amanhã entro com mais calma e escrevo mais coisas!
terça-feira, 2 de março de 2010
Para Sempre... Julia
Eram cinco e quinze da manhã quando o telefone começou a tocar, eu tentei ignorá-lo achando que a pessoa que estivesse do outro lado da linha pudesse desistir e voltar a ligar mais tarde, mas me enganei, e acabei cedendo à insistência dos toques.
- Alô!
Do outro lado da linha uma voz fria e fúnebre:
- Por gentileza o Sr. Tiago.
É ele – Eu disse, e a voz calou-se como se ensaiasse sua próxima fala.
Por um minuto eu achei que fosse alguma brincadeira sem graça, mas pelo apanhado das horas não me dei à chance de perguntar, esperei até que o homem do outro lado começasse a dizer o porquê daquela ligação. E depois da enorme pausa, ele retomou a fala, quebrando o gélido silêncio que se fez depois do demorado espaço de tempo.
- Estou ligando a respeito da senhorita Julia Bragança, o senhor a conhece?
- Claro que sim, é minha noiva, o que tem ela?
- Lamento informá-lo senhor, mas a senhorita Julia foi encontrada morta. Peço que o senhor compareça ao IML para reconhecer seu corpo.
Eu não lembro se foi ele quem desligou ou se fui eu, recordo-me apenas de ter ficado quase meio hora parado no mesmo lugar, segurando o telefone na expectativa de que o homem do outro lado revelasse que tudo aquilo era realmente um brincadeira de mau gosto, e não a dura e cruel realidade que estava me sufocando naquele instante.
Eu não fui ao Instituto Médico Legal como o homem pediu. Sentindo-me incapaz de mover qualquer músculo do meu corpo, liguei para meu irmão e pedi que ele fosse em meu lugar. E nas mais de duas horas que levou o telefonema para o meu irmão a vinda dele em meu apartamento, eu apenas me mantive deitado no sofá, sem nenhum outro pensamento que não fosse o sorriso de Julia. Mas a chegada de Flávio tinha o a expressão clara da morte, e eu olhando para ele naquele jeito, não suportei mais conter as lágrimas, e desabei.
Chorei como chora um apaixonado que perde para sempre o amor de sua vida. E no instante em que o choro tornou-se parte de mim, a vontade de reencontrar a mulher com que iria me casar em alguns meses aqueceu-me por completo, mas meu irmão me impediu de ir vê-la, e disse que precisava contar algumas coisas antes que eu tomasse qualquer tipo de decisão.
E foi ainda no rompante de emoções desencontradas que fiquei sabendo o que até então eu não havia me perguntado: como ela havia sido morta? E a resposta para a pergunta que me faltara foi imediata e sem muitos cuidados fui informado de que seu corpo fora encontrado em um quarto de motel e que a polícia suspeitava que ela tivesse sofrido uma overdose devido a alta quantidade de drogas encontrada no local.
Por um segundo, apenas um único segundo, eu acreditei no que meu irmão estava me contando, mas quando a lembrança de Julia surgiu, eu me livrei das mãos do Flávio que ainda me prendiam, e com total convicção de algo estava errado, eu fui contra tudo aquilo, e apesar de todas as provas aparentes, nada no mundo iria me fazer acreditar que a mulher que namorei por seis anos fosse uma adúltera, e ainda por cima que usasse drogas, algo que ela abominava.
Era impossível acreditar em tal situação, algum motivo tinha que existir para que Julia tivesse ido aquele lugar. Ela havia estado comigo até um pouco mais que onze da noite, e saiu daqui de casa dizendo que ia para casa terminar um projeto para apresentar na reunião do dia seguinte, e estava toda contente que havia sido indicada ao cargo de diretora de marketing.
Ela era muito correta, prezava tanto os valores morais que é completamente impossível aceitar a hipótese de que ela tenha ido para lá por vontade própria.
E contra vontade do meu irmão, fui até a delegacia que estava responsável pelo caso, e ao me identificar fui levado direto a sala da delegada, que me fez uma série de perguntas, quase todas elas com o mesmo teor: Onde eu estava na hora do crime?
Quanto às perguntas feitas pela delegada responsável pelo caso eu não precisava me esquivar, não tinha o que esconder, minha inocência era tão obvia quanto o fato de que Julia não era infiel. Meu irmão me achava louco por acreditar na fidelidade de uma mulher encontrada morta em um quarto de motel, mas eu não desconfiaria de Julia, logo agora que ela se foi. Ao longo de todos os anos em que ficamos juntos, ela jamais me deu motivos para sentir ciúmes, nunca me questionou sobre qualquer outra mulher, ao contrário, dizia sempre que a confiança era à base de nosso relacionamento, e que enquanto nos mantivéssemos leais um ao outro, nada poderia nos separar.
O enterro de Julia foi marcado pela tristeza de todos os presente, Dona Laura sua mãe não soltou minha mão em nenhum momento, e em todas as oportunidades que teve, pediu que eu nunca odiasse sua filha, e por várias vezes frisou não acreditar em tudo aquilo. Seu Jaime, o pai, estava desolado, e acompanhou todo o sepultamento a distância. Não havia uma única pessoa que não estivesse sofrendo, todos choravam inconformados.
A fim de saber maiores informações sobre o andamento das investigações, fui até a delegacia, não iria ficar de braços cruzados sofrendo em casa enquanto não desvendassem todo esse mistério... Lá fui recebido pela Delegada Maristela, que me levou até sua sala e começou a conversar comigo, sem muitas voltas ela disse ter obtido as fitas internas do sistema de segurança do motel, mas que não havia identificado o homem que entrou com Julia no local do crime e que saiu de lá quinze minutos após darem entrada no quarto, deixando-a morta. Mas para meu total desespero, eu identifiquei o homem no exato momento em que o vi, a imagem da fita era de uma péssima qualidade, não dava para ver com exatidão o rosto dele, mais é impossível não reconhecer alguém que você viu crescer, dar os primeiros passos, a primeira palavra a ser dita... Como não reconhecer alguém que você conhece deste seu primeiro momento de vida? Como não reconhecer seu irmão?
Quando a Doutora Maristela perguntou se eu o conhecia, meu extinto foi mentir. Saí da delegacia direto para casa do meu irmão, e dirigi como se não houvesse nenhum outro carro na pista além do meu.
- Por quê? – Foi a primeira coisa que perguntei quando o vi;
E a julgar por seus olhos, ele sabia exatamente o motivo da minha pergunta.
- Por que eu a amava – Disse ele, as lágrimas.
- E por que nunca me contou?
- Você nunca entenderia.
- Antes que eu ligue para a polícia, eu quero saber de você toda a história, tudo o que aconteceu. Não me esconda nada.
- Mas eu...
- Fala!
E começou a falar, contou-me que a drogou na noite anterior sem que ela percebesse, quando a ofereceu carona na saída lá de casa, oferecendo-lhe um comprimido como se fosse uma destas balas tipo chiclete e que assim que ela perdeu seus sentidos ele a levou para o motel. Lá resolveu dopá-la um pouco mais, mas ela teve uma reação inesperada e com medo ele fugiu sem prestar nenhum tipo de socorro.
Quando ele acabou de contar, a dor que percorria meu corpo era dilacerante, voltei para a polícia devastado por ter que denunciar meu próprio irmão... Contei toda a história para a delegada.
Flávio se entregou um pouco depois de eu deixar a delegacia e foi condenado a 35 anos de prisão. Eu o visito quase sempre, nunca trocamos mais que duas ou três palavras.
Meu amor por Julia ainda continua vivo, mesmo já tendo passado dois anos. E eu estou tentando continuar a vida... Tentando viver uma nova história, uma que seja tão bonita quanto a que vivi... Caminhando sem Julia vou em busca de um novo amor... Sem nunca deixar de amá-la.
(Para Sempre - Leonardo Kifer)
- Alô!
Do outro lado da linha uma voz fria e fúnebre:
- Por gentileza o Sr. Tiago.
É ele – Eu disse, e a voz calou-se como se ensaiasse sua próxima fala.
Por um minuto eu achei que fosse alguma brincadeira sem graça, mas pelo apanhado das horas não me dei à chance de perguntar, esperei até que o homem do outro lado começasse a dizer o porquê daquela ligação. E depois da enorme pausa, ele retomou a fala, quebrando o gélido silêncio que se fez depois do demorado espaço de tempo.
- Estou ligando a respeito da senhorita Julia Bragança, o senhor a conhece?
- Claro que sim, é minha noiva, o que tem ela?
- Lamento informá-lo senhor, mas a senhorita Julia foi encontrada morta. Peço que o senhor compareça ao IML para reconhecer seu corpo.
Eu não lembro se foi ele quem desligou ou se fui eu, recordo-me apenas de ter ficado quase meio hora parado no mesmo lugar, segurando o telefone na expectativa de que o homem do outro lado revelasse que tudo aquilo era realmente um brincadeira de mau gosto, e não a dura e cruel realidade que estava me sufocando naquele instante.
Eu não fui ao Instituto Médico Legal como o homem pediu. Sentindo-me incapaz de mover qualquer músculo do meu corpo, liguei para meu irmão e pedi que ele fosse em meu lugar. E nas mais de duas horas que levou o telefonema para o meu irmão a vinda dele em meu apartamento, eu apenas me mantive deitado no sofá, sem nenhum outro pensamento que não fosse o sorriso de Julia. Mas a chegada de Flávio tinha o a expressão clara da morte, e eu olhando para ele naquele jeito, não suportei mais conter as lágrimas, e desabei.
Chorei como chora um apaixonado que perde para sempre o amor de sua vida. E no instante em que o choro tornou-se parte de mim, a vontade de reencontrar a mulher com que iria me casar em alguns meses aqueceu-me por completo, mas meu irmão me impediu de ir vê-la, e disse que precisava contar algumas coisas antes que eu tomasse qualquer tipo de decisão.
E foi ainda no rompante de emoções desencontradas que fiquei sabendo o que até então eu não havia me perguntado: como ela havia sido morta? E a resposta para a pergunta que me faltara foi imediata e sem muitos cuidados fui informado de que seu corpo fora encontrado em um quarto de motel e que a polícia suspeitava que ela tivesse sofrido uma overdose devido a alta quantidade de drogas encontrada no local.
Por um segundo, apenas um único segundo, eu acreditei no que meu irmão estava me contando, mas quando a lembrança de Julia surgiu, eu me livrei das mãos do Flávio que ainda me prendiam, e com total convicção de algo estava errado, eu fui contra tudo aquilo, e apesar de todas as provas aparentes, nada no mundo iria me fazer acreditar que a mulher que namorei por seis anos fosse uma adúltera, e ainda por cima que usasse drogas, algo que ela abominava.
Era impossível acreditar em tal situação, algum motivo tinha que existir para que Julia tivesse ido aquele lugar. Ela havia estado comigo até um pouco mais que onze da noite, e saiu daqui de casa dizendo que ia para casa terminar um projeto para apresentar na reunião do dia seguinte, e estava toda contente que havia sido indicada ao cargo de diretora de marketing.
Ela era muito correta, prezava tanto os valores morais que é completamente impossível aceitar a hipótese de que ela tenha ido para lá por vontade própria.
E contra vontade do meu irmão, fui até a delegacia que estava responsável pelo caso, e ao me identificar fui levado direto a sala da delegada, que me fez uma série de perguntas, quase todas elas com o mesmo teor: Onde eu estava na hora do crime?
Quanto às perguntas feitas pela delegada responsável pelo caso eu não precisava me esquivar, não tinha o que esconder, minha inocência era tão obvia quanto o fato de que Julia não era infiel. Meu irmão me achava louco por acreditar na fidelidade de uma mulher encontrada morta em um quarto de motel, mas eu não desconfiaria de Julia, logo agora que ela se foi. Ao longo de todos os anos em que ficamos juntos, ela jamais me deu motivos para sentir ciúmes, nunca me questionou sobre qualquer outra mulher, ao contrário, dizia sempre que a confiança era à base de nosso relacionamento, e que enquanto nos mantivéssemos leais um ao outro, nada poderia nos separar.
O enterro de Julia foi marcado pela tristeza de todos os presente, Dona Laura sua mãe não soltou minha mão em nenhum momento, e em todas as oportunidades que teve, pediu que eu nunca odiasse sua filha, e por várias vezes frisou não acreditar em tudo aquilo. Seu Jaime, o pai, estava desolado, e acompanhou todo o sepultamento a distância. Não havia uma única pessoa que não estivesse sofrendo, todos choravam inconformados.
A fim de saber maiores informações sobre o andamento das investigações, fui até a delegacia, não iria ficar de braços cruzados sofrendo em casa enquanto não desvendassem todo esse mistério... Lá fui recebido pela Delegada Maristela, que me levou até sua sala e começou a conversar comigo, sem muitas voltas ela disse ter obtido as fitas internas do sistema de segurança do motel, mas que não havia identificado o homem que entrou com Julia no local do crime e que saiu de lá quinze minutos após darem entrada no quarto, deixando-a morta. Mas para meu total desespero, eu identifiquei o homem no exato momento em que o vi, a imagem da fita era de uma péssima qualidade, não dava para ver com exatidão o rosto dele, mais é impossível não reconhecer alguém que você viu crescer, dar os primeiros passos, a primeira palavra a ser dita... Como não reconhecer alguém que você conhece deste seu primeiro momento de vida? Como não reconhecer seu irmão?
Quando a Doutora Maristela perguntou se eu o conhecia, meu extinto foi mentir. Saí da delegacia direto para casa do meu irmão, e dirigi como se não houvesse nenhum outro carro na pista além do meu.
- Por quê? – Foi a primeira coisa que perguntei quando o vi;
E a julgar por seus olhos, ele sabia exatamente o motivo da minha pergunta.
- Por que eu a amava – Disse ele, as lágrimas.
- E por que nunca me contou?
- Você nunca entenderia.
- Antes que eu ligue para a polícia, eu quero saber de você toda a história, tudo o que aconteceu. Não me esconda nada.
- Mas eu...
- Fala!
E começou a falar, contou-me que a drogou na noite anterior sem que ela percebesse, quando a ofereceu carona na saída lá de casa, oferecendo-lhe um comprimido como se fosse uma destas balas tipo chiclete e que assim que ela perdeu seus sentidos ele a levou para o motel. Lá resolveu dopá-la um pouco mais, mas ela teve uma reação inesperada e com medo ele fugiu sem prestar nenhum tipo de socorro.
Quando ele acabou de contar, a dor que percorria meu corpo era dilacerante, voltei para a polícia devastado por ter que denunciar meu próprio irmão... Contei toda a história para a delegada.
Flávio se entregou um pouco depois de eu deixar a delegacia e foi condenado a 35 anos de prisão. Eu o visito quase sempre, nunca trocamos mais que duas ou três palavras.
Meu amor por Julia ainda continua vivo, mesmo já tendo passado dois anos. E eu estou tentando continuar a vida... Tentando viver uma nova história, uma que seja tão bonita quanto a que vivi... Caminhando sem Julia vou em busca de um novo amor... Sem nunca deixar de amá-la.
(Para Sempre - Leonardo Kifer)
segunda-feira, 1 de março de 2010
A calçada da ilusão...
Estranho como de repente andar pelas calçadas da Tijuca tornou-se diferente aos meus pés, talvez pela insistente chuva fina e o vento frio que soprava molhado por meu rosto, mas sem dúvida nenhuma, aquelas calçadas não eram as da Tijuca.
Não sei explicar ao certo, apenas sinto que cada passo que eu dava eu me fazia presente em algum outro lugar, de alguma outra década que não era essa. Por alguns momentos eu me vi em Paris, a cidade luz se refletia para mim em uma listra continua de concretos molhados, e de uma hora para outra eu estava em Havana, correndo da chuva e da perseguição voraz de um Fidel altivo e cruel.
É loucura, sei que todos devem pensar o mesmo, entretanto eu podia jurar que em todos os meus devaneios, nenhum sequer chegou a ter o grau de realidade que essas visões tiveram para mim. Obrigo-me a dizer que não sou louco, que ainda respondo por todas as minhas capacidades mentais, entretanto, não irei me desmentir quanto a estar nos lugares citados acima.
É engraçado como julgam insanidade aos que tem idade acima dos sessenta, e que a nós nenhuma integridade é dada a não ser o que restou da juventude, e que a lucidez é artigo de luxo para aqueles poucos velhos que fazem de suas fortunas uma assimilação ao respeito. Não sou um afortunado, a minha restam-me apenas uns tostões de reserva além da miséria do que ganho mensalmente de aposentadoria por anos a fio trabalhando como carteiro, ainda sim, exijo o direito de ter uma oportunidade de provar que não minto quando digo que ando por lugares desconhecidos todas as vezes que passeio pela recém formada Tijuca.
É comum a descrença daqueles que não nos conhece, mais da minha família dói demais... Ontem enquanto eu fazia mais um de meus passeios pelo quarteirão, decidi correr até minha casa e buscar um casaco afim de que eu pudesse suportar a insuportável temperatura que fazia em Munique, isso mesmo, era pelas ruas dessa cidade encantadora que eu andava, mas antes que eu pudesse pegar um casaco e voltar, fui surpreendido por dois de meus filhos que sem perguntar nada me pegou pelos braços e me trouxe para este lugar estranho, onde todos me olham com olhares vazios, como se não houvesse esperança em seus olhos, como se tivessem perdido suas vidas há muito tempo.
Meus filhos ficaram na ante-sala, não dirigiram uma palavra sequer comigo, e assim que eles ficaram para trás fui mandado trocar minhas roubas por um pijama azul, tive meus cabelos raspados, e a julgar pelo branco que tomou conta do chão, não me sobrara nenhum fio e por último fui jogado neste quarto quase que vazio, apenas uma privada e uma cama sem colchão o decoram. Era um sanatório, eu não quis acreditar, mas fui trazido para o mundo dos loucos. Mas eu não tive tempo de chorar ou me desesperar, a medida que eu ia me olhando pro lugar onde eu estava, tudo se transformava, e em questão de instantes eu estava de volta a Paris, e já havia deixado as calçadas para trás, eu estava dentro do Louvre, e podia tocar nas preciosas obras de arte, a Monalisa parecia sorrir para mim enquanto em caminhava em sua direção. Era uma Paris nova. Meus olhos ainda não acreditavam no que via; A raiva de ter sido trazido para cá se transformou em uma enorme gratidão aos meus filhos, e nada e ninguém mais poderiam me tirar deste mundo novo que eu acabara de ganhar.
Não sei explicar ao certo, apenas sinto que cada passo que eu dava eu me fazia presente em algum outro lugar, de alguma outra década que não era essa. Por alguns momentos eu me vi em Paris, a cidade luz se refletia para mim em uma listra continua de concretos molhados, e de uma hora para outra eu estava em Havana, correndo da chuva e da perseguição voraz de um Fidel altivo e cruel.
É loucura, sei que todos devem pensar o mesmo, entretanto eu podia jurar que em todos os meus devaneios, nenhum sequer chegou a ter o grau de realidade que essas visões tiveram para mim. Obrigo-me a dizer que não sou louco, que ainda respondo por todas as minhas capacidades mentais, entretanto, não irei me desmentir quanto a estar nos lugares citados acima.
É engraçado como julgam insanidade aos que tem idade acima dos sessenta, e que a nós nenhuma integridade é dada a não ser o que restou da juventude, e que a lucidez é artigo de luxo para aqueles poucos velhos que fazem de suas fortunas uma assimilação ao respeito. Não sou um afortunado, a minha restam-me apenas uns tostões de reserva além da miséria do que ganho mensalmente de aposentadoria por anos a fio trabalhando como carteiro, ainda sim, exijo o direito de ter uma oportunidade de provar que não minto quando digo que ando por lugares desconhecidos todas as vezes que passeio pela recém formada Tijuca.
É comum a descrença daqueles que não nos conhece, mais da minha família dói demais... Ontem enquanto eu fazia mais um de meus passeios pelo quarteirão, decidi correr até minha casa e buscar um casaco afim de que eu pudesse suportar a insuportável temperatura que fazia em Munique, isso mesmo, era pelas ruas dessa cidade encantadora que eu andava, mas antes que eu pudesse pegar um casaco e voltar, fui surpreendido por dois de meus filhos que sem perguntar nada me pegou pelos braços e me trouxe para este lugar estranho, onde todos me olham com olhares vazios, como se não houvesse esperança em seus olhos, como se tivessem perdido suas vidas há muito tempo.
Meus filhos ficaram na ante-sala, não dirigiram uma palavra sequer comigo, e assim que eles ficaram para trás fui mandado trocar minhas roubas por um pijama azul, tive meus cabelos raspados, e a julgar pelo branco que tomou conta do chão, não me sobrara nenhum fio e por último fui jogado neste quarto quase que vazio, apenas uma privada e uma cama sem colchão o decoram. Era um sanatório, eu não quis acreditar, mas fui trazido para o mundo dos loucos. Mas eu não tive tempo de chorar ou me desesperar, a medida que eu ia me olhando pro lugar onde eu estava, tudo se transformava, e em questão de instantes eu estava de volta a Paris, e já havia deixado as calçadas para trás, eu estava dentro do Louvre, e podia tocar nas preciosas obras de arte, a Monalisa parecia sorrir para mim enquanto em caminhava em sua direção. Era uma Paris nova. Meus olhos ainda não acreditavam no que via; A raiva de ter sido trazido para cá se transformou em uma enorme gratidão aos meus filhos, e nada e ninguém mais poderiam me tirar deste mundo novo que eu acabara de ganhar.
Um pouco de cada...
É incrível como algumas pessoas definitivamente não conhecem o sentido de sustentabilidade e continuam a desperdiçar os recursos naturais como se suas fontes nunca fossem extintas. Chega! Está mais do que na hora de nos conscientizarmos quanto à importância e a necessidade de usar com SABEDORIA e CONSCIENCIA o que a natureza nos oferece. Sabemos que todos esses recursos estão escassos, e cada vez mais a tentativa de manter o funcionamento do eco sistema Terrestre fica mais difícil, então por que nós que somos os principais favorecidos não damos o valor devido ao mundo em que vivemos.
E o desperdício acontece constantemente, muitas vezes atuamos ativamente na contribuição dele ativamente e sequer nos damos conta. O que fazer para mudar? É tomar pra si a responsabilidade que cada um de nós devemos ter no cuidado de um Planeta que é de todos.
Evitar o desperdício seja ele do que for é um primeiro passo para mudança. São os simples atos que mudam um Mundo.
E o desperdício acontece constantemente, muitas vezes atuamos ativamente na contribuição dele ativamente e sequer nos damos conta. O que fazer para mudar? É tomar pra si a responsabilidade que cada um de nós devemos ter no cuidado de um Planeta que é de todos.
Evitar o desperdício seja ele do que for é um primeiro passo para mudança. São os simples atos que mudam um Mundo.
Imensidão da noite...
Tem dias que a gente parece viver um verdadeiro solstício de inverno, em que as noites tornam-se verdadeiros labirintos feitos por lembranças de momentos que pareciam perdidos na eternidade do tempo. Os braços parecem não reagir aos nossos comandos, e tentam desesperadamente pegar o passado que passa lentamente sobre nossos olhos inconscientes. É o irreal penetrando o mundo dos vivos.
Estranho ver que tantas coisas vividas com intensidade se perdem e se tornam esquecidas, e muitas vezes nem as lembranças são capazes de retratá-las, quando muito sobram apenas as juras de eternidade, puídas e quase descaracterizadas pela ação cruel do tempo.
A noite que parece nunca terminar trás consigo as lágrimas e sorrisos que ficaram desamparadas a medida de que fomos seguindo nossas vidas e transformando em histórias os momentos que não conseguiram acompanhar os passos rápidos do presente inquieto que pouco a pouco construímos.
Estranho ver que tantas coisas vividas com intensidade se perdem e se tornam esquecidas, e muitas vezes nem as lembranças são capazes de retratá-las, quando muito sobram apenas as juras de eternidade, puídas e quase descaracterizadas pela ação cruel do tempo.
A noite que parece nunca terminar trás consigo as lágrimas e sorrisos que ficaram desamparadas a medida de que fomos seguindo nossas vidas e transformando em histórias os momentos que não conseguiram acompanhar os passos rápidos do presente inquieto que pouco a pouco construímos.
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