terça-feira, 5 de abril de 2011

Devâneios...

Estava pensando: se não é amor o que sinto por ti, o que mais haveria de ser? Durmo e acordo querendo-te a cada segundo mais.

Em todas as vezes que discutimos, sinto doer às feridas que as palavras ditas por mim, quase sempre de forma ríspida, provocam em ti. Pois sei o quanto elas são capazes de te machucar.

É incoerente desejar-te tanto, a ponto de esquecer o mundo quando estou ao teu lado e ser o mais sortudo dos afortunados por ter teus braços para me acomodar. Quando entregue aos teus beijos, me anulo dos pensamentos e acordado vivo um sonho, no qual não a conduzo, apenas me deixo levar.

Se isso não é amor, me ajude a desvendar o que sinto, pois não consigo compreender como é possível ter um sentimento dentro de mim que corre como o sangue por completo em meu corpo, fazendo com que eu me sinta vivo, pulsar a pulsar.

Por fim só me resta dizer que é amor. Sim, é amor! Pois não haveria de existir nada igual no mundo para definir tamanhas emoções.

(Intensidade – Leonardo Kifer)



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domingo, 3 de abril de 2011

Incoerências...

Eu acordei e já se fazia noite, não sabia as horas, apenas tinha conhecimento de que havia algumas horas que a escuridão adentrava minhas janelas sem permissão de quem quer que seja para se acomodar dentro de meu apartamento. Não consegui entender como ela conseguiu escalar quatro andares até me encontrar.

O silêncio parece ter vindo em companhia, se fazia presente por todos os minutos, e não pulou a janela de volta quando expulsei a noite acendendo as luzes como tentativa de mostrar que não queria estranhos por perto. Talvez devesse dizer que apesar dos móveis o apartamento estava por completo vazio, assim ficaria evidente meu incomodo diante a indesejável presença do silencio. Tudo isso soa estranho, parece louco me importar em receber alguém tão desejado em minha casa, no entanto era enlouquecedor tê-lo ali me encarando, como me ameaçasse expulsá-lo. E eu fiz, por várias vezes gritei que ele fosse embora, mas nada, ele podia se esconder nas horas em que meus gritos eram ensurdecedores, mas bastava eu me calar para ele voltar, e mais uma vez ameaçar a não sair dali. Inquieto eu peguei meu telefone e liguei para uma de minhas amigas, ele acompanhava toda a conversa a distância, de modo que não consegui ficar mais que 5 minutos conversando.

Por mais de 7 horas eu fui refém de dois dos mais perversos terroristas, que pareciam não ser sensibilizarem com toda minha angustia. O silêncio era que me torturava, entretanto era à noite a mais fria deles, mesmo mantida do lado de fora, ela não tinha medo de que alguém pudesse derrotá-la, pois ficava claro que meus gritos por socorro não a coagiam.

Foi à luz do dia quem me libertou, eu estava caído entre as fotos de Julia e a garrafa vazia de uísque quando os primeiros raios do dia me acordaram e mostraram que meu cárcere havia acabado, sem que me dissessem uma palavra, eu havia compreendido perfeitamente que eles haviam fugido, o barulho que vinha da rua me dava a certeza de que nem o silêncio ficou para me assombrar.

Agora eu estava livre, no entanto continuava a me sentir preso... Desde que Julia se foi tem sido assim, não consigo suportar a liberdade que tenho sem ela, e não tenho forças para sair de casa e me libertar da dor de tê-la perdido para morte, que egoísta a tirou para sempre de mim.

(As noites de Tiago – Leonardo Kifer)

terça-feira, 22 de março de 2011

Lembranças...

É engraçado como às vezes por mais que o tempo passe, algumas histórias sempre se mantém vivas dentro de nós, ainda que nunca mais voltemos a vivê-las, nos deixando apenas a amarga lembrança do inacabado, o vazio como sentimento presente.

Quem de nós nunca deixou partir um amor, um destes que sempre esteve ao nosso lado, talvez a espera de ser notado? Quando damos conta do que realmente sentimos, o adeus já deixou de ser negado, e tudo o mais de ser dito. Outras vezes é o medo que nos impede, e por ele deixamos de arriscar...

Então a saudade deparasse com o tempo, que já se faz cansado pelos anos, torna-se intolerância que insiste em repetir dentro daqueles que conheceram o amor na partida, e viveram apenas de lágrimas as suas histórias de ausências, por fim foram chamadas por todos de nada.

(Amor do fim – Leonardo Kifer)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A ausência do meu "estar".

É complicado desejar o silêncio e ter como resposta o caos,
Que me torna inquieto,
Odioso, Intolerante, impiedoso.

Não me encontro em meio à multidão que me torno,
E perdido busco ajuda nas palavras,
Mas me falta vocabulário,
E meu tormento ganha tamanho na dor.

Preso numa caixa de vidro,
Que não sinto, não vejo.
Apenas me limita ir além de mim.

Sou o estranho,
Julgado por mim,
Condenado por todos que sou.

Sou o vazio,
O inconstante,
Bipolar ser errante,
Sou a exata mistura de guerra e paz.

(A Falta de sorrir – Leonardo Kifer)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Enrolar desenrolado.

Um dia caminhando acabamos esbarrando sem querer (ou quase) em nosso desencontro, e assustados ficamos sem saber o que fazer... Natural o medo, uma vez que a vida seguia continua, e nada parecia faltar ou se fazer perceber.

Ouve-se uma melodia, uma voz singela levemente desafinada entoa o que seria um cantar... Faz se presente, de uma hora para outra, torna-se presente aos dias que virão. É tudo novo, no velho que já existe, na mesma batida descompassada que faz Tum, Tum, Tum no meu peito e que todos insistem em dizer que é meu coração.

Noite quente, não trouxe chuva, formou-se dia de calor comparado ao do sertão. Areia seca, no asfalto fervente, esquenta um sentimento que desabrocha como que por milagre, no pecado da vaidade, do homem pelo homem.

O que será da flor, sentimento proibido, romance descabido, que nasce errado, embeleza um terreno árido que parecia não ceder mais a vida, ou já ter dado vida a tudo que brotou até então. Dirão que é mágica, o descabido sentimento proibido, surgi como uma grande paixão.

(Enrolar desenrolado – Leonardo Kifer)

domingo, 12 de dezembro de 2010

Roda Gigante

É estranho como fazemos das nossas vidas um constante depois... O “agora” é quase sempre indesejado, é comum transformá-lo em outro dia, que muitas vezes não chega. Fazemos planos, traçamos metas a serem cumpridas, e acabamos atropelando nossos desejos pela necessidade do “impulsivo”. Entregamos nossos sonhos ao acaso, que nos oferece de mão dada o deslumbre do instante.

E como árvores que pouco a pouco nova perdem suas vidas com avanço da nova era, perdemos também nossas possibilidades de realizações ao desperdiçarmos a chance de cumprirmos o que havíamos nos comprometidos em fazer. E por fim nos descobrimos lenhadores de nossos próprios galhos.

Estranho secar as lágrimas que escorrem ao refletirmos sobre quem somos e do que fazemos conosco... Deveríamos regar nossos sonhos e plantar as novas mudas, multiplicando as nossas conquistas.

Talvez tenha chegado à hora de olharmos para nós como s crianças que éramos em que os mesmos doze meses que completam um ano eram capazes de nos levarem aos mais fantásticos mundos, e ainda éramos capazes de dormimos como anjos, sem deixarmos para trás um único segundo.

(Roda Gigante – Leonardo Kifer)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A Bolsa Estourou!

É entre sorrisos e ansiedade que senti o peso da saudade escorrer sobre meu rosto. Foi involuntário, no entanto, instantâneo. Ao saber que a bolsa da minha cunhada havia estourado e que dali a poucas horas eu seria tio, não pude deixar de pensar no meu pai, e no quanto ele ficaria feliz em ter mais um neto, e desta vez, depois de duas meninas ele finalmente seria avô de um menino. O engraçado é que de certa forma posso senti-lo e sentir essa energia de felicidade que tomou conta da minha casa, e mesmo entre lágrimas, o sorriso e a expectativa em ver meu sobrinho daqui algumas horas me acalma e me conforta.


A idéia de uma nova vida para alegrar uma família que a pouquíssimos meses perdeu um membro é simplesmente extraordinária, e nos permite acreditar ainda mais na capacidade de Deus em transformar as vidas das pessoas com sua sabedoria, apresentando as mais perfeitas rosas entre galhos cheios de espinhos.