quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Palhaço.

Hoje a apresentação não é no sinal,
Não precisa transformar sorrisos em moedas,
Pq. hoje todos os sorrisos serão de graça.

Mas foi sem querer
Que os olhos começaram a lacrimejar...

A maquiagem do rosto,
Perdia as cores vibrantes,
Os gestos que antes demonstravam alegria,
Agora, expressam a melancolia daquele que faz todos se alegrar...

Ele não pode se entregar totalmente às lágrimas,
Pois daqui a pouco terá que se apresentar...

O Palhaço,
A todos alegra...
Mas não se faz alegrar...

Deprimido? talvez
Mas quem parece importar?
Todos cobram dele a alegria
E ele não consegue chorar...

Eu vi este palhaço,
Escondendo a tristeza entre uma apresentação e outra...
E ao final do espetáculo entendi
Que este palhaço se sente só

Mas ele não tem tempo,
Precisa de novo descansar,
Porque amanhã é dia,
Amanhã ele novamente fará a alegria
Só que amanhã,
É no sinal...

(Palhaço - Leonardo Kifer).


*Este poema é para aqueles que mesmo no mal humor do trânsito conseguem transformar estresse em sorrisos.

O próprio caminho...


Quanto tempo tu gasta em sua vida para reclamar?
Quantas vezes tu se questiona de não estar feliz?
E a sorte, o quanto reclama por não tê-la?
Diante de todas as reclamações o que tu faz para mudar?
Passamos tanto tempo de nossas vidas nos queixando a falta de alguma coisa ou alguém, nos questionando porque não somos felizes e muitas vezes até colocando a culpa em Deus, que esquecemos que nóis somos os únicos responsáveis pela nossa própria felicidade e que se algo não está bem cabe a nóis mesmos procurar um jeito de melhorar.
Muitas vezes colocamos a nossa felicidade em poder de outra pessoa, só que não podemos projetar no outro o dever de que eles nos façam feliz, porque esta outra pessoa pode ter como felicidade algo completamente oposto a ti.
Vamos deixar de esperar que um milagre mude nossas vidas, vamos mudá-las por conta própria... Seguir em frente a nadar pelo rio que outrora nos amedrontou. É deixando para trás o medo do passado que iremos resolver no presente os “erros” que não nos permitiria viver o futuro.
Vamos plantar nossas próprias rosas e não esperar que alguém nos presenteie com um buquê que só florescerá uma única vez.
Faça tu mesmo os poemas que gostaria de escutar, e peça apenas para a outra pessoa declama-lo, assim tu não irá correr o risco de ficar sem o teu poema preferido.
Ame-te a si mesmo, assim não dependerás de um outro amor... E poderá cobrar menos dos que virão.
Viva, pois nenhum outro alguém viverá por você.

(Sempre existe um novo começo – Leonardo Kifer)
*(Dedico este texto a Brenna por ser eterna como as rosas que planto).

terça-feira, 2 de setembro de 2008

I-z-a-u-r-a.


Tenho certeza de que não foi à toa que ela apareceu na minha vida em meados de maio, com aquele sorriso que de “cara” me encantou. Ta bom, eu assumo, nem sempre tudo foi perfeito, teve um ou outro momento (esse outro posso dizer que foi longo e se repetiu algumas vezes) que as coisas não saíram às mil e uma maravilhas, mas tudo bem, não queria viver em um “ninho” de felicidade (até pq. isso deve ser chato pra caramba e também não existem aquelas transas maravilhosas que só acontece depois das reconciliações).
Mas ela partiu e me deixou sem sequer me dar uma explicação... E olha que já me perguntei o porquê desta loucura e várias vezes cogitei os motivos que a levaram tomar esta decisão (cheguei a aceitar a possibilidade de ela ter me trocado por um outro cara, um exemplar mais novo e sarado), mas até hoje me cobro por não ter uma resposta (será que foi o cara mais novo e sarado?).
Todos os dias eu acordava e dizia: “Hoje eu tiro a maldita da Izaura da minha vida” (Não sei por que eu dizia isso todas as manhãs, por que é certo de que não ajudaria em nada, mas era como um antibiótico que poderia acabar com a minha gripe “Izaurática”), de nada adiantava eu repetir aquela frase, pois tudo que eu fazia me trazia a danada da Izaura em lembranças.
Os meses foram passando e as lembranças ainda me atormentavam, foi quando eu decidi descobri o paradeiro da Izaura.
Tracei um plano em que o único objetivo seria o de localizar a tal e fazê-la revelar os motivos que a fizeram a abandonar-me (será que foi o cara mais novo e sarado?), o que eu iria fazer depois de encontrá-la não me interessava, o importante agora era descobrir a onde estava esta mulher que desgraçou minha vida.
A primeira coisa que pensei foi procurá-la na antiga vila em que era morava na época em que nos conhecemos, mas foi em vão, ninguém sabia nada sobre o paradeiro dela e sequer sabiam que ela havia desaparecido.
Procurei por diversos lugares em que nós freqüentávamos juntos, e em nenhum deles eu descobri qualquer pista que pudesse me levar ao encontro de Izaura.
Semanas rapidamente viraram meses e nenhum resultado de minhas buscas, nada me informava onde eu podia achá-la. A situação estava tão desesperadora que fui atrás de uma ajuda, mas não de um detetive e sim de um psicólogo, pois eu já estava começando a pirar com tamanha falta de informações.
I - z-a-u-r-a!
Putz! Esse nome deve a combinação de dois outros nomes: Ilza e Aurea. Espera aí, quem foi o desgraçado que juntou esses nomes?
Não sei o que meu psicólogo sentia nesta hora, mais a cara que ele estava fazendo enquanto eu relatava minha possível descoberta não era das melhores, mas prossegui mesmo assim.
Minha seção de terapia não foi uma das melhores, eu acho que meu terapeuta desistiu de me atender, desmarcou todas as consultas futuras por conta de uma viagem inesperada (Será que ele é pai do cara mais novo e sarado?).
Enfim, a busca por Izaura já estava quase no fim, eu já nem tinha mais esperanças, quando recebi uma ligação. Um amigo meu lá de Cabobózinho do norte, uma cidade tão longe que nem esta no mapa. Ela me contou que soube de uma tal de Izaura que tinha as mesmas características que eu havia informado.
Pois bem, arrumei a mala e partir de imediato em busca da tal Izaura. Peguei um ônibus (Umas seis ou sete horas de viagem), depois fui de Jipe por mais três horas, duas horas de barco por um rio “medonho” e trinta minutos depois de caminhada, lá estava eu em Cabobózinho do Norte atrás da mulher que mudou minha vida.
Acho que preciso dizer que fui lá à toa, por que este meu amigo confundiu os nomes e o que encontrou por lá foi uma Laura e não Izaura.
Voltei pro Rio com a certeza de que jamais a encontraria, mas tamanha foi à surpresa de encontrá-la logo em frente ao meu prédio, surpresa maior ainda foi quando soube que estava a minha procura.
Meu coração quase pulou, já nem lembrava mais de que fui abandonado e que passei os últimos meses atrás desta linda mulher, eu mal conseguia respirar e sequer dizer algo, olhava pra ela como da primeira vez, realmente eu tinha certeza de que ela era a mulher da minha vida, até que saí do carro um cara de uns vinte e cinco anos, saradão, boa pinta. Acordei um dia depois no hospital com um braço quebrado, um olho roxo e com um bilhete ao lado da minha cama dizendo: “Não espalhe mais fotos procurando a Izaura pela cidade”.
Foi ali que eu tive a certeza de que ela me trocou por um cara mais novo e sarado.


(Izaura - Leonardo Kifer)

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Setembro




Setembro finalmente chegou e veio com um climazinho perfeito, um solzinho fraco e gostoso. Mais um mês que começa e aos poucos estou vendo 2008 passar, daqui um pouco mais de um mês completarei 25 anos e começo a me preocupar de não estar plantando nada realmente importante para que eu possa colher no futuro. Medo! Afinal estou prestes a fazer ¼ de século e o que eu fiz em todos estes anos?
Enfim... Setembro acabou de chegar e eu não irei me preocupar em responder minhas aflições. Afinal sempre temos tempo de começar de novo...

Vou colocar o trecho de uma música da Vanusa (Manhãs de setembro).
“...Eu quero sair... Eu quero falar... Eu quero ensinar... O vizinho a cantar... Eu quero sair... Eu quero falar... Eu quero ensinar... O vizinho a cantar... Nas Manhãs de Setembro... Nas Manhãs de Setembro... Nas Manhãs de Setembro... Nas Manhãs...”

O Acaso...



Um dia soube de alguém que precisava de asas,
Pois um novo caminho precisava se traçar.

E pelas ruas do destino,
Caminhando ainda perdido,
Carregando consigo sonhos de menino,
E algumas certezas,
E deixando pra trás as incertezas,
E aflições,
Pois isto não poderia levar.

E em um desses endereços do acaso.
(Mas não por acaso)
Uma rua foi escolhida,
E nesta rua já tinha alguém.
A rua tinha nome de encontro,
E como um lindo conto,
Nesta rua o menino que já não seria mais sozinho foi morar.

E no endereço do acaso,
Uma história precisava começar.
E não era mais uma destas feitas de donzelas indefesas
E corajosos príncipes.
Era tempo de uma nova história,
Onde qualquer um poderia de um final feliz desfrutar.

E assim novos dias começaram a ser escritos,
E a cada nova linha,
Surgia um novo olhar,
E o autor brincava com os sentimentos,
E não deixava o amor aflorar.

E tempo foi passando,
E aquela casa já não refletia mais sorrisos,
E da janela só se via lágrimas,
E aquele que tanto caminhou até achar o acaso precisava partir.
Pois ali já não era mais seu lugar.

Todos se perguntavam pq à separação daqueles que ainda não eram amantes,
Daqueles que a pouco começavam a se transformar em irmãos.
E destino como sempre,
Tratou logo de um recado dar,
Avisou a todos que ele era senhor do tempo,
E que só ele poderia de algo reclamar.

E assim se fez,
Os dias caminharam pesados,
E foram seguidos por uma chuva que todos juravam que eram feitas de lágrimas,
Mas isso ninguém jamais provou...
O que era certo é que teriam dos caminhos,
O que ficaria,
E o outro que sozinho partiria.

Mas o destino é turrão,
E junto ele achou que os dois deveriam seguir,
E assim se fez,
Surgiu um novo caminho,
Outro endereço estava escrito,
E foi assim que tudo começou.

A história era de dois novos amantes,
Que o destino brincou de juntar,
E aqueles que demoraram a ser amantes,
Finalmente se amaram,
E assim puderam está história contar.

(Acaso – Leonardo Kifer)

domingo, 31 de agosto de 2008

Quando acabar...


Achei esta fotografia tão linda que resolvi escrever um poema para ilustrá-la...



Não caminhamos mais lado a lado,
Já não fazemos mais parte do mesmo presente,
Em comum entre nós dois, só o passado.

Talvez você tenha sido um equívoco,
Ou quem sabe estava só de passagem...

Foi embora com o vento,
Deixou um bilhete,
(Escrito somente adeus).

Eu pensei que não saberia seguir,
Mas era só mais um de meus enganos.
Ou que sabe um erro seu.

A chuva deixou de cair,
Os pássaros que estavam mudos voltaram a cantar.
Da janela que antes esperava a rua,
Só flores,
Por que há tempos deixei de te esperar.

E agora você reaparece,
Cheia de explicações,
Só que esquece de olhar em volta
E não vê que nos portas-retratos existe outra em seu lugar.

Sei que teve suas razões,
Aceito todas.
Não precisa pedir perdão.
E também não me peça pra ficar.

Vá embora com o vento,
Deixe um bilhete,
(Escreva mais que um adeus).

Tudo isso passado,
Enterrado os fatos,
Sem essa de “você & eu”.


(Acabado – Leonardo Kifer)

Poema por um domingo melhor...

Ainda me lembro que foi você que me salvou,
Quando eu estava só no deserto,
Com sede por alguém.
Sozinho.
Solitário no mundo de pessoas ao meu redor.

E quando penso que em meio a toda aquela areia
Eu estava prestes a me afogar.
Choro,
E te agradeço por me salvar...

Antes de você aparecer eu estava preso em meu próprio deserto,
Afogado em um mar criado por minhas angústias,
Condenado as minhas histórias.

Você surgiu,
Em meio à poeira da maresia.
E me levou para novas histórias,
E me apresentou as suas.

Com o tempo,
Eu e você escrevíamos juntos.
As minhas,
As suas,
As nossas histórias.

(Reescrevendo – Leonardo Kifer)