terça-feira, 30 de setembro de 2008

Mãe...


Talvez um dia vá entender tudo o que ela sempre quis me dizer quando brigava comigo, mais hoje eu não pude ficar calado e por mais uma vez acabamos brigando. É bem verdade que eu respondi por que estava cansado das mesmas reclamações dela. E que talvez se eu tivesse escutado em silêncio nada teria acontecido, e agora não estaria indo dormir sem seu boa-noite.
Mas em todos estes anos quase nunca ela parou para me escutar, sempre o seu ponto de vista era sempre o certo e com o passar dos anos eles sempre terminavam em discussões.
Mais é engraçado que mesmo agora que acabamos de brigar eu não consigo deixar de amá-La e me sentir arrependido porque mesmo me sentindo com razão eu levantei a minha voz para ela.
Enfim... Esta noite não terei a benção de minha mãe.


(Mãe e filho - Leonardo Kifer)

Um dia pra esquecer...


Hoje meu dia não foi dos melhores,
Não achei um grande amor,
Não ganhei na loteria,
Não fiz nada que me tornasse um ser humano melhor.
Hoje eu apenas fui eu.
(Um dia pra deixar de ser - Leonardo Kifer)

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Pecador...


Hoje tentarei me traduzir,
Explicar um pouco de quem sou.
Talvez quem saiba esteja apenas cansado das tentativas,
Todas elas fracassadas,
Daqueles que tentaram me desvendar.
E que me culpam,
Transformam-me em monstro
Por não conseguirem saber quem realmente sou.
Talvez tenha chegado à hora,
De deixar as asas,
Estas que todos cismam ver em mim,
E de uma vez por todas
Provar a todos que não sou anjo como dizem,
E sim um homem,
Um pecador...
Mostrarei meus defeitos,
Que por muito se esconderam,
Deixando ser visto apenas qualidades
Estas que alimentavam minha soberba,
E a cada dia mais ilustravam minha pérfida santidade.
Menti sim quando aceitei ser anjo,
Pois não tenho crenças,
E sou critico de minha própria fé.
Eu sou um confuso narrador de minha saga,
O último de minha raça.
O “santo pecador”.
Sou o dia seguido do ontem,
O amanhecer que estar por vir.
E assim vou me traduzindo,
Mostrando que não sou diferente,
Nem melhor nem pior,
Sou apenas mais um na multidão,
Um poeta e suas mentiras,
Um amante sem paixão.
A controvérsia de minhas poesias,
E no final de tudo,
Apenas um texto,
De beleza duvidosa,
E complicada tradução.
Alguém de difícil acesso,
Mas nenhuma proteção.
Sou um olhar nos teus olhos,
A resposta de tua pergunta.
O oposto de suas razões.
Um pássaro livre,
Que sozinho aprendeu a voar.
Uma flor um espinho.
A coragem e o medo,
Que lado a lado caminham.
A terra e o mar.
Não busque um mapa, um dicionário,
Ninguém nunca me acha ou consegue me desvendar.
Pois sempre fui sozinho,
E escolho quem ao meu lado deve estar.
Hoje sou apenas Leonardo,
Quem sabe amanhã não possa ser João?

(Ser – Leonardo Kifer)

domingo, 28 de setembro de 2008

Acertando as contas com o bom velhinho...


Papai Noel não existe!
Durante todos esses anos eu acreditei fielmente na existência do velhinho de longa barba branca que surgia toda noite do dia 24 de dezembro trazendo consigo presentes para todas as criancinhas que se comportasse bem. Mais hoje à tarde eu descobri que papai Noel não mora no pólo norte, ele é o vizinho da rua de cima que todos os dias enche a cara no botequim da esquina, é bastante improvável que no fundo do bar exista uma fabrica de brinquedos, assim como é impossível de acreditar que as renas do bom velhinho sejam os cachorros que ele cria com muito zelo e uma boa quantidade de sobra de comida.
Para mim, descobrir que o símbolo do natal era uma fraude e que o velhinho que ficava sentado na cadeira do shopping era na verdade o seu Andrade, o bêbado da rua de cima, tinha sido um choque enorme e talvez eu jamais fosse ser o mesmo de antes.
Resolvi então ir tomar satisfação com o tal impostor, fui à casa do Sr. Andrade, mais como era tarde fui informado por sua esposa (“senhora Noel”) de que ele estava no botequim e não pensei duas vezes, e fui até ele. Chegando lá eu falei tudo que eu estava sentindo por ter sido enganado, foi quando ele calmamente pediu ao Sr. Manoel mais um copo, e antes que eu pudesse recusar ele me entregou um copo de cerveja e começou a falar sobre sua vida, desde o tempo de sua infância. Quando eu dei por mim já eram quase 10hs da noite e nós já tínhamos bebido mais de uma caixa de cerveja (Nesta altura já rolava até um churrasquinho de gato providenciado por amigos do Sr. Andrade). Como estava ficando tarde demais combinamos de deixar o papo para o dia seguinte ali mesmo no Botequim do Sr. Manoel.
Saí dali com a certeza de que papai Noel não deixou de existir, apenas começou a aproveitar melhor sua vida!

(Acertando as contas com papai Noel – Leonardo Kifer)

sábado, 27 de setembro de 2008

Eu:.



Segredo,
Este sou eu...
Na verdade poderia ser apenas chamado de mistério,
Não, não poderia...
Talvez fosse somente uma charada.
Destas tão simples,
Que ninguém descobre.
Quem sabe eu tente ser apenas um enigma,
E me traduza em palavras metafóricas,
E assim vou me tornando mais um incompreendido
Um autor de minhas próprias palavras,
Um poeta do meu eu.
Sou um imortal que morre,
Um santo pecador,
Um anjo negro,
O frio e o calor...
Sou o oposto de mim,
O contraditório sonhador,
Um risco
Um giz
Eu sou eu,
Eu sou...
Luz e escuridão,
Um riso, um choro...
O silêncio, a música.
O sossego, o barulho.
Um idioma escrito,
Em uma língua que se traduz em um beijo...
Um beijo difícil de ganhar,
Eu,
O céu,
A terra,
E o mar.

(Eu – Leonardo Kifer).

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Às vezes...

Escrevo,
E apago tudo que começo a rabiscar...
Talvez as idéias para um novo texto não são as melhores, as mais criativas,
Mas às vezes elas apenas estão soltas em mim...
E é nessa hora que preciso junta-las.
Escrevendo vou contando em palavras momentos que vivi,
Ou às vezes só quis viver.
Rabiscando personagens de contos,
Crio histórias que às vezes me ajudam superar a dor.
E se preciso falar de amor,
Rascunho um castelo,
E coloco nele a mais linda das princesas...
Se o amor é impossível,
Escrevo as possibilidades,
Só pra poder ter um final feliz...
Se tiver que escrever sobre mim,
Uso códigos, codinomes que me afastam dos olhares tiranos.
E se falo do passado,
Procuro não resgatar as marcas,
Pois do passado só quero o futuro que não vivi,
Onde só existem sonhos,
E as ilusões estão apagadas...

(Tempo - Leonardo Kifer)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Queimando o "manual do fazer"...



Engraçado como muitas vezes quando somos autênticos agredimos alguém, e o mais interessante é que parece que estamos errados por agirmos por espontaneidade e não por seguirmos o “manual de como fazer” estipulado pela sociedade. Então quando nos damos conta estamos seguindo o “manual” tão a risca que acabamos virando pessoas sem personalidade, porque estamos constantemente agindo para agradar o outro, e deixamos de lado o realmente queremos fazer.
E assim vamos seguindo nossas vidas, um jogo onde a palavra adaptação é a chave para o sucesso. A popularidade é o auge, mais para alcançá-la é necessário muito trabalho, entre milhões de crocodilos a serem engolidos, as alianças com as pessoas que detestamos e os sacrifícios que fazemos deixando de lado nossos desejos pessoais ainda é necessário cair no gosto do coletivo, ser bonito, e principalmente, é fundamental que você se enquadre no modelo estipulado pela sociedade. Só assim você conseguirá o “Topo” da pirâmide.
Chegaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! Até quando tentarmos nos encaixar aos padrões da sociedade? É preciso deixar para trás os padrões e sermos autênticos. Não podemos passar a vida toda tentando ser aceito na sociedade. Esses padrões sociais são criados por pessoas frustradas, que não tiveram coragem de viver seus sonhos, e fazer seu próprio caminho. Não vamos nos acorrentar aos padrões que não nos acrescentam a nada. Não podemos aceitar que nos imponham o que devemos vestir, comer, que escolham nossa crença, nossos gostos? Somos nós quem devemos escolher nossos hábitos e não cabe a ninguém julga-los. Liberdade para aqueles que têm coragem de querer viver! Vamos rasgar os “manuais de como fazer” e vamos começar um mundo onde todos são livres para escrever suas próprias histórias. Só quando nos importarmos menos com o que o outro faz que olharemos para o “outro” como um igual.

(Basta – Leonardo Kifer)