segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A Bolsa Estourou!

É entre sorrisos e ansiedade que senti o peso da saudade escorrer sobre meu rosto. Foi involuntário, no entanto, instantâneo. Ao saber que a bolsa da minha cunhada havia estourado e que dali a poucas horas eu seria tio, não pude deixar de pensar no meu pai, e no quanto ele ficaria feliz em ter mais um neto, e desta vez, depois de duas meninas ele finalmente seria avô de um menino. O engraçado é que de certa forma posso senti-lo e sentir essa energia de felicidade que tomou conta da minha casa, e mesmo entre lágrimas, o sorriso e a expectativa em ver meu sobrinho daqui algumas horas me acalma e me conforta.


A idéia de uma nova vida para alegrar uma família que a pouquíssimos meses perdeu um membro é simplesmente extraordinária, e nos permite acreditar ainda mais na capacidade de Deus em transformar as vidas das pessoas com sua sabedoria, apresentando as mais perfeitas rosas entre galhos cheios de espinhos.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Adeus aos 26 anos! Viva meus 27... E felicidades pro amigo!

Então é hora de me despedir dos meu 26 anos, faltam pouquíssimas horas, um pouco mais de uma precisamente, para dar adeus a um período da minha vida que para sempre irei lembrar e que talvez tenha sido fundamental para perceber que era preciso algumas mudanças, principalmente mudar que sou...

É impossível não reviver cada dia destes último doze meses, afinal ele foi intenso e pareceu que desde o inicio seria de perdas e despedidas... Chorei no primeiro instante em que as horas me fizeram aniversariar, me senti sozinho em meio a tantos olhares, me faltou acreditar que ainda podia ter o amor de quem tanto desejei... Horas depois voltaram as lágrimas, era meu pai quem me fazia voltar a chorar, parecia ignorar o fato de que era meu aniversário, e demorou muito a me parabenizar...

Um ano inteiro, contado por meses contrários, desenhado por um outono que semeia na primavera o verão... Risos, silêncios, mudanças, sentimentos, a morte e por fim a paixão... Tudo tão vivido, que é possível enxergar as marcas das transformações... O inverno se despedia entre um vento frio e uma garoa suave quando meu pai se foi, sim, as folhas começavam a cair no mesmo instante em que as lágrimas escoavam em meu rosto... A morte visitara-me e levava consigo um pedaço de quem sou... Não existe raiva, não existe tristeza, apenas saudades e muito amor... E o que parecia apenas o ano de desgraça, se desvendou em uma completa renovação de amor.

E o cheiro de terra molhada, fez brotar uma vida nova, o inicio de uma construção de um novo “eu”... E mesmo com a saudade sufocando, fui aprendendo a desenhar a felicidade nas folhas ainda molhadas, me permitindo a dar novos passos, e lentamente voltar a sonhar...

Mas o destino ainda não estava satisfeito, falta algo para me fazer realmente feliz, e completamente generoso, me mostrou que é possível viver um amor, basta apenas acreditar... Tornou-me livre de todo o passado que me prendia e livre eu pude voar.

E foi voando que entendi que é possível viver sonhando e que o “Era uma vez” pode se realizar... Conheci na simplicidade uma nova paixão e com ela comecei uma história que só me faz continuar a sonhar, a realidade em forma de carinho, cumplicidade... Um pedaço novo de mim que não quer nunca acabar.

Os 26 anos estão ficando para trás, uma nova idade começa a chegar, mas agora sem medo, enfrento a vida, lido com as mudanças, e agradeço à Deus pela oportunidade de poder recomeçar.

No entanto não termino aqui falando de mim, não! Uso as últimas linhas para desejar felicidades a um amigo, diferente de todos, um do tipo que não mente e faz questão de criticar meus passos “errados”, e que mesmo eu insistindo não estar “errado” ele teima em não acreditar.

Amizade é por muitas vezes um engano, mas quando se acerta é preciso cuidar... Então é agradecendo, mas que desejando, que parabenizo ao meu amigo Angelo pela nova idade que acabou de completar!

domingo, 17 de outubro de 2010

Motti.

E de repente te encontrei,
Como um passe de mágica tu parece ter saído dos meus sonhos
E cruzado meu caminho.
Provocando meu desejo,
E me despertando a paixão.

O gosto doce do primeiro beijo,
Preso em seus braços,
Eu me desvencilhava do sonho,
E experimentava o que podia ser apenas ilusão.

Mas a felicidade pouco à pouco foi se mostrando real,
E eu cada vez menos cauteloso em vivê-la,
Enfrentando o medo com verdade,
Descrita em cada novo sentimento que brotava.

O tempo ainda é pouco,
O gostar é enorme,
O medo ainda presente,
E a vontade de ser eterno, não tem fim.

Um beijo,
Um cheiro,
Um toque,
Um lugar ou desejo,
Tudo me remete a você.

(Cartas ao vento – Leonardo Kifer)

domingo, 10 de outubro de 2010

Às vezes... Sempre!

Lentamente as flores começam aparecer, ainda é possível sentir frio, no entanto torna-se quase natural se acustumar com o calor, que pouco a pouco começa chegar... É primavera no hemisfério sul, mas ainda sinto como se estivesse no outono quando as lágrimas descontroladas teimam em cair... Diferente quando paro e observo a vida palpitar por fora do meu peito.
Longe do cenário das folhas mortas, vejo minha imagem refletir sobre a água ainda límpida de um rio transpassado de lembranças. A distância entre a solidão e o finito é apenas um vazio disfarçado quase sempre em sorriso.

O belo que enfeita a vida perde o encanto quando visto de perto... É o mais do limite, a luz que ainda ultrapassa a escuridão.

E o amor, ainda é esperado, mesmo que não venha, ainda é a solução.

(Incoerências – Leonardo Kifer)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Indesejável petulânte.

Não é por acaso que inesperadamente nos esbarramos com alguém que surpreendentemente nos fará enxergar a vida por outro ponto de vista, e sem que tenhamos nos dado conta, estaremos deixando para trás valores que antes pareciam ligados a nós como sangue.

O outro virá e dirá tudo o que não queremos ouvir, e sem pedir, jogará diante de nossos olhos o que antes não conseguíamos ver, e sua petulância não cessará com isso, pois certamente te fará mudar, tomar a iniciativa de refazer os “acertos errados” que outrora cultivava.

E quando nos depararmos com a transformação refletida no espelho, sim, por que ela também é física, nos sentiremos incompletos e nesta hora iremos perceber que no fundo a mudança é movida pela paixão.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Aprendiz da ausência

Talvez eu devesse pensar como Drummond, e assim enxergar a ausência como “um estar em mim”, sim, uma doce vivência de me sentir por completo, me ter a ponto de saber o que falta e me deliciar com a maravilhosa experiência de rir nos momentos de pura abstinência. Mas a verdade é que não sou como Drummond...

Além de me serem escassas as palavras, ainda preciso do tempo como aliado, professor e conselheiro para caminhar ao meu lado em busca da sabedoria, que nenhuma ciência é capaz de nos dar. Torna-se sábio aquele que vive.

Resta-me apenas assumir minha inaptidão em lidar com a ausência, e assumir em lágrimas que sou fraco que as lembranças se fazem presentes, e quase sempre elas me visitam.

Vez ou outra me pego olhando para o lado, e não o encontro... Sua voz tem sumido cada vez mais, como se a imagem fosse o único recurso para se fazer lembrar. Por todos os cômodos o vazio é eminente e é impossível fingir não senti-lo... É difícil não senti tremer a boca quando ouço seu nome ou quando alguém despercebidamente fala sobre ele, é doloroso demais não tê-lo e só poder lembrar...

Queria aprender ser como Drummond para nos momentos em que a saudade for incontrolada e o resultado forem às lágrimas, como as de agora, que eu a sinta branca, tão pegada, aconchegada aos meus braços, me fazendo rir e dançar enquanto invento exclamações alegres, para ninguém roubar a ausência que sinto do meu pai de mim.

(Aprendiz da ausência – Leonardo Kifer)

*Cito versos do poema “Ausência” de Carlos Drummond de Andrade.

domingo, 19 de setembro de 2010

Domingo com frio...

Quantas vezes não acabamos criando expectativa em relação a algo que esteja acontecendo em nossas vidas? Acabamos alimentando em nossos corações a esperança de que nossos desejos se realizem, e por fim a felicidade seja dada como certa.

Talvez não sejamos tolos por acreditarmos em um final feliz, ainda que a realidade insista em querer que tenhamos a incredulidade como parceira de nossas vidas.

Por teimosia eu insisto em sempre acreditar que sim, pode dar certo! E que apesar de todas as decepções que vivemos, o final feliz é sempre possível de acontecer.

Ficam apenas os bons momentos como lembranças, pois de certo a frustração já nos ensinou cometermos os mesmos erros.

(Domingo de frio – Leonardo Kifer)