quinta-feira, 28 de março de 2013

Apaixonados



Um dia quando menos esperarmos.
A primavera florescerá em nosso jardim,
E depois de algumas estações ignorando,
Finalmente perceberemos a beleza das flores.

E neste dia,
Correremos contra ao vento,
Embalados por canções melosas,
Que falam de diferentes histórias,
Como uma trilha sonora de nossos momentos.

São novos tempo,
De um mesmo tempo,
Para um novo jeito de “ser”.
Transformações tão grandes,
Que são impossíveis de esconder.

E antes que as flores se desmanchem no velho jardim,
Antes mesmo que as canções percam seus sentidos,
Acharemos o jeito certo de se encarar o vento,
E entenderemos que muitas das grandes transformações que vivemos,
Resumem-se em um novo amor.

(Apaixonados – Leonardo Kifer)

quarta-feira, 13 de março de 2013

Pedras e Janelas

Corre menino, vá depressa e não se deixe ser pego.
Vá pra longe, para bem distante.
Até onde suas pernas conseguirem correr.

Quando já estiver longe,
Ao sentir-se seguro,
Arrume um abrigo,
Talvez você precise descansar.

Não chore,
O que fazemos por amor,
Jamais será considerado erro.

Todos sabemos que o coração é capaz de iludir,
De nos colocar uma pedra em nossas mãos,
Apenas pelo prazer de nos fazer atirá-la,
E depois de feito o arremesso,
Descobrir que foi o alvo errado.

Mas acalme-se,
Foi um susto,
Ninguém há de te castigar.

Com o tempo,
Verás que novos vidros serão quebrados em vão,
E tudo em nome do amor,
Ou da insistente vontade de acertar.

E no momento certo,
A pedra terá um novo peso,
A janela uma nova textura,
E desta vez, não existirão estilhaços.

Por que ao acertar o alvo,
O vidro não se partirá,
A pedra então se desmanchará em pétalas,
E tudo será transformado em um sentimento continuo,
De amar e amar...

(Pedras e Janelas – Leonardo Kifer)

segunda-feira, 11 de março de 2013

Héróis caninos...

Ainda ontem, lembro-me de pedalar pelo bairro com minha velha bicicleta, na companhia de meus dois cachorros. Eu seguia em frente, traçando um caminho sem medo, rumo ao desconhecido, enquanto meus dois amigos caninos corriam atrás, livres e felizes por não haver coleiras e correntes que os mantivessem presos.
À medida que o tempo foi passando, meus companheiros de aventura já eram capazes de escolher o caminho que queria que os seguissem, uma vez que eles já não eram mais os filhotes que corriam atrás de seu dono, eram adultos e eu corria para que eles não se esquecessem de voltar para casa...  Eram novos tempos, eu não precisava mais protegê-los, eles agora eram meus cães de guarda e ninguém era capaz de levantar a mão para mim sem que eles voassem em cima do possível agressor. Eu era um menino seguro, em um mundo que começava a apresentar perigo.
Com o passar dos anos, fui deixando de ser um menino para já me transformar em um homem, afinal eu já tinha 18 anos, havia terminado o ensino médio e muito em breve estaria na faculdade. Cães de guarda? Para quê? Eu era um herói! Meu próprio herói e nada e nem ninguém poderia me derrotar... Não! Eu era forte e esperto o suficiente para enfrentar as maldades do mundo. O assalto do ano anterior em que perdi R$10? Eu tinha 17 anos, agora era bem mais velho. 18 anos, maior de idade, entende?
Com 19 anos, eu já estava trabalhando, e sentia-me cada vez mais “senhor de mim”... Um dia, ao retornar do trabalho, encontro meu pai triste, estava sentado à sala de cabeça baixa. Ao questioná-lo sobre o porquê de tamanha tristeza, descubro que os meus antigos heróis haviam sido dados para dois ex-vizinhos que haviam se mudado para um sítio, no interior da cidade. Meu mundo desabou junto à tristeza de meu pai, como podia ele ter dado os meus cachorros? Quem passaria a proteger nossas casas? Por que ninguém perguntou antes se eu queria que fizessem isso? A justificativa que ouvi, foi que está era a única forma dos cachorros que sempre foram livres, continuarem a correr por aí... O trabalho e a vida agitada que minha nova idade havia me proporcionado, tirou de mim o tempo que eu tinha para eu correr juntos os cachorros.
E assim os dias foram se passando, eu agora tinha que conviver com as lembranças de meus antigos filhotes, meus amigos brincalhões e entender que meus pais haviam tomado a melhor das decisões... Os cachorros mereciam a liberdade que eu não podia dá-los, e mesmo se eu quisesse o bairro já começa a ter um maior fluxo de carros. E cães, eram somente para proteger a todos da violência, a cidade já não era mais tão segura assim...
Um mês após os cachorros irem para o sitio, descubro que nosso ex-vizinho em um acesso de raiva, matou nossos cachorros dois dias depois de os levarem... A Ully, como era chamada a cadela, morreu com uma pazada na cabeça e o Thor, nosso bobalhão, foi morto enforcado minutos depois. Ele os matou porque a Ully avançou em seu amigo e o mordeu, após tentar defender seu novo dono do que ela julgou ser um ataque, visto que o tal amigo o derrubou no chão durante uma brincadeira de luta. A notícia veio como tiro no peito, eu perdia não só dois cachorros protetores, mas sim, dois amigos fiéis que eram capazes de tudo para tentar me proteger... Choremos junto, meu pai, minha mãe e eu, não sabíamos definir se era a dor da perda ou o remorso de tê-los dado, eu estava sentindo-me fraco e agora não me sentia mais um herói, estava em mundo completamente diferente daquele que me permitia andar livre aos dez anos, só na companhia de filhotes... eu já não tinha mais certeza de nada.
E pouco a pouco as transformações foram acontecendo, à medida em que eu amadurecia o mundo parecia retroceder, ao meu redor, pessoas matando umas as outras, assaltos a cada esquina, nada mais era seguro, nada mais seria seguro... Eram tempos modernos.
Hoje tenho 29 anos, e olho para trás com um saudosismo imenso, vejo os novos meninos com seus filhotes presos em coleiras dentro do carro de seus pais, não existem mais as brincadeiras de rua, é a era da internet, ninguém mais precisa se relacionar entre si, a menos que seja para fazer novos filhos... Brincar com o cachorro? Espera aí, quando entrar em casa precisa usar aquele sabonete antibactericida, se possível passe álcool gel após o banho... Está tudo tão mudado, tão diferente do que conheci, não existem mais cor, nada mais é colorido, é nude, é clean.
Eu já não tenho mais amigos pretos, nem negros, e confesso ter medo de perder também os afrodescendentes... Os amigos gays, que antes eram xingados dia após dias, continuam sendo xingados, agora por uma parcela menor de pessoas (vale dizer que muitos que antes os ofendiam, hoje estão casados com outros do mesmo sexo e felizes. Existem também aqueles que passaram aceitar, desde que não sejam com seus filhos), hoje a briga maior dos homossexuais (eles também mudaram de nome na tentativa de uma melhor aceitação) é com a Igreja. Sim! A Igreja diz que isso vai contra o principio de Deus, ainda que Deus tenha dito que somos todos seus filhos e iguais! Mas parece-me que isso não agrada alguns padres, pastores e outros membros administrativos das casas do Senhor. Talvez esses assuntos consigam esconder um pouco mais o fato de Deus ter virado a marca que mais cresce e da lucro no mundo todo, pode ser que a Microsoft crie algum softwear divino...
Mas a maior de todas as mudanças e a que mais agride a mim e castiga nosso país, é como nós nos tornamos automutiladores e sem nenhum pudor elegemos políticos que nos roubam, nos julgam e alguns ainda são capazes de usarem o nome de Deus para nos catalogarem por nossas raças e opções sexuais, o mesmo que Hitler um dia fez no passado... Saudades do tempo em que pintávamos os nossos rostos e íamos as ruas protestar e revindicar por nossos direitos, saudades do tempo em se ter realmente direitos!
Imagino que talvez eu possa fazer minha parte, me reinventar como herói, adotar dois novos filhotes e ensiná-los a serem livres, e quando forem adultos soltá-los ao mundo e não segui-los, assim poderiam lutar não só por mim, mas por todos nós!

(O passeio por um país – Leonardo Kifer)

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sentido Contrário ao Vento

Pra onde vai o vento,
Depois que passa por mim?
Despertando estranhos sentimentos,
Me deixando sem saber pra onde ir.
Deslocado em meio a pensamentos,
Desnorteado por não saber como agir.

Pra onde vai o vento,
Depois que some no mar?
Ondas, amor e ressentimentos,
Se desmancham no encontro com a areia,
Na praia vazia da desilusão...

Pra onde vai o vento,
Depois de me perseguir,
Entrar por minhas janelas,
Trazer lembranças e me confundir?

Vento traiçoeiro,
Que me jurou amor...
Mentiroso,
Não sabe as marcas que me causou.

Eu não nunca mais quero saber do vento,
Não me interessa para onde ele foi.
Estou tentando seguir em frente,
Estou andando sentindo contrário ao vento,
E me arriscar se preciso for...

(Sentindo contrário ao vento – Leonardo Kifer)

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Percepções!

Quando estou sozinho,
Coberto pela a noite,
Céu sem estrelas, sem lua.

No silêncio do meu “eu”,
Posso te reencontrar,
Reviver o nosso sonho,
E de novo te amar...

É quando sozinho,
Que eu me permito ser seu,
Relembrar nossas conversas,
E o tempo que se perdeu...

Deitar-me com você,
Acordar novamente no seu colo,
Sem medo do tempo te levar...
Sonhar acordado...

É sozinho que eu choro,
E depois começo rir...
Vejo que na vida tudo tem um porque,
E todas as histórias precisam de um Fim.

Se era pra se eterno eu não sei,
Acabou...
No presente não existe nada,
Apenas as lembranças perdidas no vazio
Entre eu e você.

(Lembranças perdidas entre eu e você – Leonardo Kifer)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Letras de um outono partido...

E de repente,
O silêncio incomodou,
O outono acordou cedo,
E resolveu improvisar...
Com isso sobraram apenas os galhos,
Pois as folhas o vento levou...


E eu que já fui música,
Agora somente poesia,
Frases largadas pelo caminho,
De histórias tão minhas,
Que só lembro o final,
Sem recordações de como tudo começou...

Palavras secas,
De um passado tão confuso,
Um estranho presente,
De amor que não se enxerga no futuro.


Acabou,
Ao menos assim tinha de ser,
Não interrompa o silêncio,
Pois é ele que não deixa nossa canção voltar a tocar...

Vá sem medo,
Não peça desculpas,
Vá depressa,
Não há lugar para mágoas,
Apenas vá e não olhe para trás.

Existe o medo,
Porque não tê-lo,
Foi tudo tão intenso,
Que mesmo se fosse muito, não seria demais.


Não nos torne novamente música,
Permita que nossos corpos desafinem,
E que eu conseguir parar.

Me impeça,
Antes que de novo eu caia como as folhas deste outono frio,
E mais uma vez me entregue,
E sem perceber, volte a voar.
(Letras de um outono partido – Leonardo Kifer) 

domingo, 8 de abril de 2012

Viver simples...

Simples...

Simples é viver cada novo dia sem medo do por vir...
É entender que o passado não guarda mágoas,
Pelo contrário,
Ele é generoso e nos deixa seguir em frente.


Simples é aprender que o amor é um exercício de convivência diária,
Onde nem sempre o que vence é a razão...
Mas é preciso compreender que só a verdade o faz durar.

 
Simples é entender que em um mundo de tantas diferenças,

Não existem diferenças, somos todos iguais.
Sem distinção de raça, credos ou mesmo condição social,
Nada é capaz de nos individualizar, ainda que por si só sejamos indivíduos.
 

Simples é nos permitirmos tornarmos palavras,
E nos escrevermos no mural da vida como permissionários de nós mesmos,
Sem arrependimentos, basta apenas acertarmos o que não foi feito de maneira correta...
 

Simples é sermos Guerreiros de nossas histórias,
Amando, algumas vezes chorando ou apenas vivendo,
Na simplicidade cotidiana de se encontrar humano.


(Simples – Leonardo Kifer)

sexta-feira, 16 de março de 2012

Ferido

Um dia as palavras me serão escassas,
Faltarão dizeres em meio a tantas coisas a serem ditas...

Calo-me toda vez que preciso gritar,
Escondo a angustia que sinto sempre em sorrisos largos,
E omito a vontade de chorar, quando não deixo meus olhos marejarem...

É amor,
Em um desejo puro, de ser profano.
Mas também é rancor,
Quando o querer torna-se desumano.


Sem lágrimas,
Finjo não sofrer...
Às vezes até brinco de ser frio,
Sem medo algum de me congelar.


Não tem mais jeito,
Só existe uma coisa a ser feita,
Esperar...


(Ferido – Leonardo Kifer)

domingo, 11 de março de 2012

Marcas

Acordar naquela manhã fria, sozinho, me angustiou...

Não havia marcas no chão,
As portas não registravam sinais de força,
Não houve barulho,
Nada que pudesse explicar tua ausência,
Mas inexplicavelmente tu não estavas...

Como você não estava ali ao meu lado,
Como pude deixar-te ir?
Eu corria pela casa a tua procura,
Mas nenhum sinal...

Busquei inúmeras vezes uma pista,
Um por que do teu desaparecimento,
Mas não havia explicações,
Simplesmente tu não estavas ali...

Já cansado de procurar,
Chorei até me faltar as lágrimas,
Lembrei-me de todos os momentos que ao teu lado eu vivi,
E dormi, agarrado a esperança de que pudesse voltar com a manhã.

Outro dia se fez,
Novamente o frio me recebeu,
Mas desta vez havia a chuva,
Lavando as lembranças que eu deixei jogada por toda a casa...

Eu já não mais te procurava,
Não esperava que voltasse,
Pouco lembravas de ti.

A chuva limpou bem mais que as lembranças,
Ela me trouxe a segurança,
De que eu podia existir sem ti...

Doce paixão,
Que viveu uma amarga ilusão,
De que um dia precisa partir,
Levando com sigo a razão,
Deixando a emoção,
Que sozinha se parte,
E não demora a ruir.

(Marcas – Leonardo Kifer)

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Garoa

Ontem o vento me trouxe um segredo,
Havia a possibilidade de uma separação,
Eu estranhei,
Achei precipitado,
Mas sem muitas vírgulas, ele disse não.

Hoje o segredo se desfez,
Muitos da noticia já compartilham,
E os demais em breve saberão...
Já não se namoram mais a chuva e o vento,
O bonito namoro teve um prematuro fim...

É estranho começar a pensar no amanhã sem a cumplicidade dos dois,
Mas ao que sabemos uma das partes disse da amizade continuar,
Espero que ao menos a infinidade,
Aquela tão bonita,
Que sempre fez o vento correr para o cheiro de chuva levar.



(Garoa – Leonardo Kifer)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Reflexos do medo.

Tem dias que é impossível não sentir medo do escuro,
Querer encontrar um lugar seguro,
E simplesmente se aquietar.

Não é a falta de luz que causa tal medo,
É o vazio de ser,
O inseguro do estar,
E a inconstância do por vir...

As lágrimas são presentes,
Escorrem pelo rosto deixando marcas,
E misturam-se ao sangue da pele que corta.

Que medo é esse que ainda permite o sonho?
Que lugar é esse que estou senão dentro de mim?
E por que o escuro é repleto de cores?
Não tem respostas ao longo do caminho,
Apenas espinhos e arranhões.

Medo não do que sou,
E sim de como me vêem.
Pois sou além do que mostro,
Sou o que sinto,
E por agora, além de amor, eu sou medo.

(Reflexos do medo – Leonardo Kifer)

Dia de chuva

Talvez a chuva que lava a manhã carioca não seja tão cinza e triste como parece,
Por trás de toda sua frieza pode contar muito mais do que gotas d’águas,
Quem sabe não exista esperança,
Ainda que com ela haja quase sempre destruição...

Particularmente prefiro a chuva,
Muitas vezes ela é mais confiável do que um belo dia de sol, que esconde em seu calor uma aversão aos que dele gostam... O sol também pode matar.

Mas voltemos a falar da chuva,
Que cai lá fora,
E refresca todo o interior da casa...

Eu não me levantei para vê-la,
Mas dentro de mim existe também a chuva,
E é possível senti-la presente,
Porque não só abaixa-se a temperatura,
Mas o cheiro do encontro dela e da rua,
Não acontece sem que ela venha nos ver.

Bolinho de chuva,
Sopa de ervilha,
Chocolate quente ao anoitecer...

Que sejamos um pouco de chuva,
Num continuo trabalho de modificação,
Evaporemos do mar,
Formemos nuvens,
E só depois nos deixamos ser gotas de chuva.

(Chuva em mim – Leonardo Kifer)

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Antes que tenha fim

Antes que o mundo acabe,
Preciso encontrar forças para seguir em frente,
Retirar todas as máscaras que me protegem dos olhares desconhecidos,
E proteger meus ouvidos das vozes que me julgam à distância.

Antes do fim do mundo,
Eu preciso ter um amanhã calmo, feliz.
Talvez assim eu pudesse partir sem medo,
E assim não correria o perigo de olhar para trás.

Antes do mundo ter fim,
Nada de tristezas, somente festas...
Que não existam guerras,
Torne-se o tempo da paz.

Antes do fim, o mundo.
Pessoas, amores, futuro e mais.

(Antes que tenha fim – Leonardo Kifer)

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

De volta ao blog.

Ainda cedo pensei em partir, Deixar para trás meus sonhos,
Meu passado,
E iniciar uma nova história...

Mas é difícil mudar quando se está preso a fortes raízes,
Lembranças e sentimentos.
Talvez por isso eu tenha ficado.
Ficar quando se quer partir é agonizante,
Sufoca, deprime.

Não partir é me fazer raiz,
Quando na minha realidade deveria me tornar folha,
Caindo com o outono,
Transformando-me em variações até finalmente me tornar adubo.

É o medo que me mantém,
E por ele é que abdico de muitas possibilidades de ser,
E fico preso em um “estar” que não me move.
Talvez tenha que deixar o vento me mover,
E de novo me sentir folha,
Voando sem rumo,
Sem medo do por vir.

(Prisão de mim – Leonardo Kifer)

*Agradeço a Isabella Telles por me motivar a voltar escrever aqui.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Interrogação...

Talvez não seja mesmo certo querer mudarmos a ordem da vida, e trapaceiramente transformarmos o passado em presente, mesmo que seja com o único intuito de vivermos um pouco mais aquilo que já passou, e principalmente amar de novo a quem só se pode amar uma vez.

Somos tolos! Vivemos momentos eternos que não duram mais que uma estação e deixamos para perpetuarmos em nossas vidas apenas o que não nos fazem suspirar. A insistente rotina de viver ao lado de um lado só. Parece louco, sim, é por fugir da sanidade dos que lidam com a razão que nunca nos permitimos esquecer o doce gosto do amor, ainda que o azedume seja o último sabor a se sentir é impossível não lembrar das horas perdidas em que nossa respiração acelera e ainda ofegante desejamos não encontrar o fim dos beijos tão amados.

É irresistível não falar de saudades quando sentimos as lágrimas acariciarem nossos rostos, e sua encontrar um refugio em nossos ombros para descansar... As lembranças tornam-se amigas que vez ou outra nos visitam, chegando sorrateira e nos pegando de surpresa, elas simplesmente chegam sem se importarem em avisar.

É tão desconfortante saber que por mais que voltemos a esbarrar com o passado, ele jamais se tornará presente, pois por mais que parece uma volta, é sempre um novo que surgirá... E não existe a necessidade de colocarem legendas espalhadas por todo nosso consciente para saber que não se vive um amor retrô. Não existe novas fórmulas para corrigir os velhos erros, o que existe são novos erros para se tentar um novo jeito de acertar a amar.

(Interrogação – Leonardo Kifer)

terça-feira, 5 de abril de 2011

Improvisso!

Dizem ser do vento os céus,
Eu ouso a desconfiar,
Pois, se do céu só as nuvens,
A quem o vento a de amar?

O vento, desconhecido amante,
Permitiu ao acaso deixá-lo me apresentar,
Haveria assim de ser o destino,
Junto a Deus menino,

O direito único de amar.
Mas o vento é desconhecido,
E eu apenas um andarilho,
Que apesar de não ter pressa,
Preciso partir,
Sem medo de correr o risco de não voltar a encontrá-lo.

É a cina do adeus,
Que surge como promessa,
De atravessar o destino,
E um dia voltar.

(Poema para um adeus melhor - Leonardo Kifer)

Devâneios...

Estava pensando: se não é amor o que sinto por ti, o que mais haveria de ser? Durmo e acordo querendo-te a cada segundo mais.

Em todas as vezes que discutimos, sinto doer às feridas que as palavras ditas por mim, quase sempre de forma ríspida, provocam em ti. Pois sei o quanto elas são capazes de te machucar.

É incoerente desejar-te tanto, a ponto de esquecer o mundo quando estou ao teu lado e ser o mais sortudo dos afortunados por ter teus braços para me acomodar. Quando entregue aos teus beijos, me anulo dos pensamentos e acordado vivo um sonho, no qual não a conduzo, apenas me deixo levar.

Se isso não é amor, me ajude a desvendar o que sinto, pois não consigo compreender como é possível ter um sentimento dentro de mim que corre como o sangue por completo em meu corpo, fazendo com que eu me sinta vivo, pulsar a pulsar.

Por fim só me resta dizer que é amor. Sim, é amor! Pois não haveria de existir nada igual no mundo para definir tamanhas emoções.

(Intensidade – Leonardo Kifer)



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domingo, 3 de abril de 2011

Incoerências...

Eu acordei e já se fazia noite, não sabia as horas, apenas tinha conhecimento de que havia algumas horas que a escuridão adentrava minhas janelas sem permissão de quem quer que seja para se acomodar dentro de meu apartamento. Não consegui entender como ela conseguiu escalar quatro andares até me encontrar.

O silêncio parece ter vindo em companhia, se fazia presente por todos os minutos, e não pulou a janela de volta quando expulsei a noite acendendo as luzes como tentativa de mostrar que não queria estranhos por perto. Talvez devesse dizer que apesar dos móveis o apartamento estava por completo vazio, assim ficaria evidente meu incomodo diante a indesejável presença do silencio. Tudo isso soa estranho, parece louco me importar em receber alguém tão desejado em minha casa, no entanto era enlouquecedor tê-lo ali me encarando, como me ameaçasse expulsá-lo. E eu fiz, por várias vezes gritei que ele fosse embora, mas nada, ele podia se esconder nas horas em que meus gritos eram ensurdecedores, mas bastava eu me calar para ele voltar, e mais uma vez ameaçar a não sair dali. Inquieto eu peguei meu telefone e liguei para uma de minhas amigas, ele acompanhava toda a conversa a distância, de modo que não consegui ficar mais que 5 minutos conversando.

Por mais de 7 horas eu fui refém de dois dos mais perversos terroristas, que pareciam não ser sensibilizarem com toda minha angustia. O silêncio era que me torturava, entretanto era à noite a mais fria deles, mesmo mantida do lado de fora, ela não tinha medo de que alguém pudesse derrotá-la, pois ficava claro que meus gritos por socorro não a coagiam.

Foi à luz do dia quem me libertou, eu estava caído entre as fotos de Julia e a garrafa vazia de uísque quando os primeiros raios do dia me acordaram e mostraram que meu cárcere havia acabado, sem que me dissessem uma palavra, eu havia compreendido perfeitamente que eles haviam fugido, o barulho que vinha da rua me dava a certeza de que nem o silêncio ficou para me assombrar.

Agora eu estava livre, no entanto continuava a me sentir preso... Desde que Julia se foi tem sido assim, não consigo suportar a liberdade que tenho sem ela, e não tenho forças para sair de casa e me libertar da dor de tê-la perdido para morte, que egoísta a tirou para sempre de mim.

(As noites de Tiago – Leonardo Kifer)

terça-feira, 22 de março de 2011

Lembranças...

É engraçado como às vezes por mais que o tempo passe, algumas histórias sempre se mantém vivas dentro de nós, ainda que nunca mais voltemos a vivê-las, nos deixando apenas a amarga lembrança do inacabado, o vazio como sentimento presente.

Quem de nós nunca deixou partir um amor, um destes que sempre esteve ao nosso lado, talvez a espera de ser notado? Quando damos conta do que realmente sentimos, o adeus já deixou de ser negado, e tudo o mais de ser dito. Outras vezes é o medo que nos impede, e por ele deixamos de arriscar...

Então a saudade deparasse com o tempo, que já se faz cansado pelos anos, torna-se intolerância que insiste em repetir dentro daqueles que conheceram o amor na partida, e viveram apenas de lágrimas as suas histórias de ausências, por fim foram chamadas por todos de nada.

(Amor do fim – Leonardo Kifer)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A ausência do meu "estar".

É complicado desejar o silêncio e ter como resposta o caos,
Que me torna inquieto,
Odioso, Intolerante, impiedoso.

Não me encontro em meio à multidão que me torno,
E perdido busco ajuda nas palavras,
Mas me falta vocabulário,
E meu tormento ganha tamanho na dor.

Preso numa caixa de vidro,
Que não sinto, não vejo.
Apenas me limita ir além de mim.

Sou o estranho,
Julgado por mim,
Condenado por todos que sou.

Sou o vazio,
O inconstante,
Bipolar ser errante,
Sou a exata mistura de guerra e paz.

(A Falta de sorrir – Leonardo Kifer)